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Sexta-Feira, 09 de Fevereiro de 2018, 09h:06
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Violência nas escolas

JUACY DA SILVA

 

Na próxima Quarta-Feira de Cinzas, dia 14 de fevereiro de 2018, terá início a Campanha da Fraternidade, cujo tema este ano é "Fraternidade e a superação da violência" e lema "Vós sois todos irmãos", conforme texto do Evangelho de São Mateus 23,8. A Campanha da Fraternidade, ao longo da Quaresma, é uma oportunidade para que cristãos e não cristãos, enfim, a população brasileira possa refletir sobre este problema que tanto medo, sofrimento e custos sociais, econômicos, financeiros, humanos e materiais causam ao nosso país e sua gente.

 

Dando continuidade às reflexões sobre o tema da violência, tendo como referência os espaços onde a mesma ocorre, gostaria de destacar, neste artigo, alguns aspectos da violência escolar, como o segundo espaço onde crianças, adolescentes, jovens e adultos presenciam, são vítimas ou perpetradores de atos de violência. O ambiente escolar é integrado por alunos, professores, dirigentes escolares e trabalhadores técnicos ou administrativos, ou seja, a escola, desde o ensino pré-escolar até a universidade, forma e conforma uma verdadeira comunidade.

 

Mesmo que nosso sistema escolar brasileiro exclua milhões de crianças, adolescentes e jovens, ele é um sistema frequentado também por dezenas de milhões de brasileiros, sendo que a educação é considerada a verdadeira porta para a mobilidade social, para a formação, para a vida e para o trabalho. Para tanto, a escola deve ser um ambiente onde seus integrantes possam viver e conviver em um clima de entendimento, de amizade, de respeito e, acima de tudo, onde um ensino de qualidade possa ser ministrado. Só assim a escola estará cumprindo seu verdadeiro papel.

 

Todavia, isto é o ideal que temos de qualquer escola e de todos os sistemas escolares, muito longe, na quase maioria das escolas brasileiras que convivem com violência de toda ordem dentro e em seu entorno, como ocorre no Rio de Janeiro e outros estados onde constantes tiroteios, balas perdidas, tráfico de drogas, ameaças do crime organizado, que manda e desmanda nos territórios controlados pela bandidagem ante a falência do Estado, dos poderes públicos. Falência esta proclamada pelo próprio Ministro da Defesa em seus pronunciamentos recentes.

 

No mundo, conforme dados da Unesco, 20% dos alunos das diferentes escolas, o que representam mais de 246 milhões de pessoas, sofrem algum tipo de violência todos os anos, sendo que esses dados têm crescido de forma assustadora ao longo dos últimos anos. Em alguns países esta é a realidade de 34% dos alunos entre 11 e 14 anos, que disseram já ter sofrido algum tipo de violência nas escolas ou no trajeto para a escola ou da escola para casa.

 

O Brasil está muito feio na foto. Segundo relatório recente, de 2017, da Organização para a Cooperação Econômica (OCDE), nosso país ocupa o topo do ranking da violência contra professores em uma pesquisa com mais de 100 mil docentes em 34 países desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos, em escolas frequentadas por alunos com idades que variam entre 11 e 16 anos. Mais da metade dos professores informaram aos pesquisadores que já sofreram algum tipo de agressão verbal, ameaças e também agressões físicas, que deixaram sequelas físicas, psicológicas e emocionais, acarretando sérias consequências para o exercício de suas atividades e determinando, até mesmo, o afastamento ou transferência para outros locais pela impossibilidade de continuarem com suas atividades docentes.

 

Uma outra pesquisa realizada pelo Inep/MEC em 2016, cujo relatório veio a publico em 2017, conforme noticiou um grande jornal de circulação nacional, e tendo como amostra alunos, professores, dirigentes e funcionários de escolas frequentadas por alunos com idade entre 11 e 14 anos, em todos os Estados, indica que mais de 50% dos entrevistados afirmam já terem presenciado ou sofrido atos de violência dentro e no entorno da escola. A pesquisa entrevistou 132.244 pessoas e constatou que 71% de professores/as já presenciaram ou foram vitimas da violência escolar. Outra conclusão foi que, 13% desses alunos usam sistematicamente ou já usaram drogas ilícitas e que o tráfico é feito nas imediações ou dentro das próprias escolas.

 

Uma das formas de violência escolar que tem crescido muito nos últimos anos é o bullying, chegando a tal ponto que acabou determinando a aprovação e sanção da Lei 13.277, de 29 de abril de 2016, assinada pela então presidente Dilma Rousseff. Esta lei estabelece que o dia 07 de abril, deve ser declarado Dia Nacional de Combate ao Bullying e a Violência na Escola.

 

Com se percebe, a violência está presente nos lares, na família, na forma de violência doméstica; na escola, no ambiente do trabalho, na comunidade, não no sentido de favela como ultimamente tem sido enfatizado, mas no contexto da moradia, incluindo todas as classes e camada sociais e também nos espaços segregados, como as prisões, e até mesmo nas igrejas na forma de violência simbólica, psicológica ou mesmo física.

 

Na verdade a violência, a cada dia no Brasil, está ocupando todos os espaços, incluindo a violência simbólica camuflada na forma de exclusão social, miséria, fome, doenças de massa, caos nos serviços públicos, na corrupção, que é uma forma de violência política. Enfim, é um assunto que merece nossa atenção, reflexão e, ao mesmo tempo, a busca de sua superação. Só assim podemos dizer que vivemos em um país decente e um Sistema politico onde primam o estado de direito, a democracia, a justiça e a liberdade.

 

Não podemos continuar sendo prisioneiros do medo, da violência, das injustiças, da impunidade e da corrupção! Isto é um simulacro de país!

 

Juacy da Silva, professor universitário, aposentado da UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veículos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

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