23 de Janeiro de 2018 | SOBRE ESTE BLOG
Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 09h:08
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Esportes / ULTRACONSERVADORISMO MUÇULMANO

Mulheres sauditas assistem sua primeira partida de futebol em estádio

AFP

 

Durante anos, Arij al Ghamdi torceu à distância por seu time de futebol pela TV em sua casa em Jidá, mas nesta sexta-feira finalmente pôde fazê-lo "ao vivo", da arquibancada de um estádio.

Pela primeira vez na Arábia Saudita as mulheres foram autorizadas a ir a um estádio de futebol, um feito inédito em um reino muçulmano ultraconservador, mas que dá indícios de uma tímida abertura social.

"Vim ao estádio com meu pai e meu irmão. Somos todos torcedores da equipe do Al Ahli", disse a estudante, com o cachecol verde do clube em torno do pescoço, recordando todas as vezes que sua casa se transformou em um local de torcida.

"Hoje, pela primeira vez, vamos levar este ambiente ao estádio, diferente das telas da TV, que cortam a imagem e não nos deixam sentir toda a emoção", prossegue a jovem, vestida com o tradicional traje preto e véu.

A permissão para ir aos estádios faz parte das reformas empreendidas pelo jovem príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, 32 anos, que incluem ainda autorização de dirigir para as mulheres a partir de junho e a reabertura dos cinemas do país em março.

As primeiras torcedoras chegaram ao estádio Cidade do Esporte Rei Abdullah quase duas horas antes da partida entre o Al Ahli e o Al Batin pela Liga Profissional saudita, e se sentaram em um local especialmente reservado ao público feminino.

Acompanhadas de suas famílias ou sós, cerca de 300 mulheres ocuparam os assentos femininos, já que o Reino proíbe espaços mistos em locais públicos.

Mas neste país regido estritamente pelos preceitos do Islã, as mulheres seguem sendo obrigadas a usar a burca em público e a ter um tutor legal masculino -pai, irmão, marido - para poder viajar ou estudar.

Muito antes do início da partida, às 20H00 local, o entusiasmo era claro nas ruas e nas redes sociais, e igualmente visível no rosto de Saleh Ziadi, acompanhado de suas três filhas na Cidade do Esporte.

"Minhas filhas não acreditaram que iriam assistir a uma partida do seu time preferido", conta o pai, acostumado a torcer só no estádio.

Em torno da família, algumas mulheres se apressavam em verificar os ingressos para conduzir as torcedoras aos respectivos assentos.

No final de outubro, Riad autorizou as mulheres a assistir eventos esportivos em três estádios do país a partir de 2018, incluindo Jidá.

Após a partida desta sexta-feira haverá outra no sábado e mais uma no dia 18 de janeiro.

"Sempre assistia as partidas pela televisão enquanto meus irmãos iam ao estádio", lembra Nura Bakhrji. "Ficava aflita cada vez que voltavam e me contavam" sobre o jogo.

"Mais de uma vez me perguntei por que não pude ir? Agora as coisas mudaram" - comemorou a jovem.

O otimismo é compartilhado por Lamia Nasser, uma moradora de Jidá de 32 anos que vê no acontecimento o sinal de um futuro "próspero" para as sauditas.

Animada com a vitória do Al Ahli por 5 a 0, Munira al Muled expressa um desejo que parecia impossível há apenas alguns meses: "A partir de agora quero ver todas as partidas no estádio".

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