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Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 08h:33
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Esportes / NO APITO

Paulistão terá licença e rebaixamento para os piores árbitros

Federação cria ranking para avaliar melhor a arbitragem e promete ser rigorosa com quem não for bem
DANIEL BATISTA
DO ESTADÃO

 

A Federação Paulista de Futebol decidiu implantar a partir deste ano um ranking de árbitros e assistentes que prevê notas de 0 a 10 e o rebaixamento de quem não realizar um bom trabalho. O novo método vai ser aplicado já no Paulistão, que começa na quarta-feira. Juízes e auxiliares precisarão de uma licença para apitar jogos grandes. A qualificação é uma tentativa de melhorar o nível da arbitragem. 

 

A introdução do ranking será divulgada pela FPF na semana que vem, mas o Estado antecipa como irá funcionar. Haverá cinco tipos de licença: Básico (apenas para jogos amadores), Licença C, B, A e Pro. A partir de 2021, apenas árbitros com a status Pro apitarão na Série A-1. 

 

Como o método está entrando em vigor, a FPF decidiu dividir os árbitros para que eles tentem tirar a licença C e B neste ano. Apenas daqui a três anos alguém conseguirá chegar ao nível máximo. “Hoje, o árbitro se destaca pela quantidade de jogos. Para melhorar, precisamos focar na análise e na qualidade, não na quantidade”, explicou Dionísio Roberto Domingo, coordenador de Desenvolvimento de Arbitragem da FPF. 

 

Árbitros e assistentes terão aulas teóricas e práticas envolvendo condições físicas, mentais e técnicas. Além disso, serão avaliados durante os jogos por um tutor, que passará a acompanhá-los uma hora antes do início da partida e ficará até uma hora depois, e por um ex-árbitro, que assistirá ao jogo pela TV. Juntos, vão discutir os erros e acertos e, com a direção de arbitragem da FPF, darão nota de 0 a 10 para cada um dos membros da equipe de arbitragem.

 

Além de interpretações de lances, serão avaliadas dezenas de funções, entre elas agilidade, poder de raciocínio, equilíbrio psicológico para lidar com pressão, dentre outros. Para dar maior efetividade aos dados, a entidade monitorará os árbitros com auxílio de GPS, que eles irão carregar durante os jogos e que mostrará distância percorrida, batimento cardíacos, velocidade, etc.

 

Ao final do ano, a pior nota vai ser descartada e, se mesmo assim o árbitro ficar com média abaixo da nota de corte (7 para licença C, 7,25 para a B, 7,5 para a A e 7,75 para a Pro), terá a licença rebaixada (quem tem a B passará a ter a C, por exemplo). Se a nota estiver acima, subirá de nível.

 

Se, ao longo do Paulista, o árbitro cometer um erro grave, será suspenso preventivamente para fazer cursos específicos, com o objetivo de explorar o motivo do erro – e não repeti-lo. Em seguida, voltará a apitar. 

 

Além das notas e da obrigatoriedade da frequência nas aulas, há um requisito mínimo no número de partidas. Na licença A, por exemplo, o árbitro precisará ter trabalhado em 12 jogos da Série A-2 e 20 da Série A-1 ou 10 da Série A do Brasileiro.

 

O ranking é estadual, mas os jogos que os árbitros apitarem por torneios nacionais também serão contabilizados. 

 

“Não vamos limitar número de árbitros por licença. A ideia é ter uma disputa interpessoal e não entre eles. É uma forma de mostrar para os juízes que, se eles fizerem um bom trabalho, subirão de acesso, independentemente do que acontecer com os outros”, explicou Dionisio. 

 

COMO SERÁ:

 

Divisões - O quadro de arbitragem passará a ter cinco níveis: Pro, A, B, C e Básico. Apenas os árbitros da licença Pro estarão aptos para apitar na Série A-1 do Paulistão.

 

Estreia - Os árbitros foram divididos de acordo com o desempenho que tiveram no ano passado. Quem se destacou já pode tirar a licença C ou B. Oos árbitros só alcançarão as demais licenças com a evolução de nível. Os primeiros formados em licença Pro serão conhecidos apenas em 2021.

 

Avaliação - Um tutor ficará com o árbitro a partir de uma hora antes do jogo e até uma hora depois. Ele observará e anotará os erros e acertos. Um ex-árbitro acompanhará o desempenho da arbitragem por meio de vídeo e também fará anotações. Juntos, eles vão se reunir com a diretoria da Comissão de Arbitragem da FPF e decidirão uma nota de 0 a 10.

 

Rebaixamento e ascensão - Um árbitro pode ser rebaixado de licença se chegar ao final do ano com nota abaixo do mínimo exigido pela FPF. Para ascender de divisão, ele passará um ano fazendo curso específico para aquela licença. Se for aprovado, sobe de nível

 

TRÊS PERGUNTAS PARA 

 

Dionísio Roberto Domingo, Dirigente de Arbitragem da FPF

 

1. Qual o motivo da mudança na classificação dos árbitros? 

 

Temos 450 árbitros na federação e não conseguíamos fazer uma avaliação de todos os jogos. São cerca de quatro mil partidas no futebol paulista, sendo 900 só de profissionais. Fica complicado. Precisamos ter uma melhor análise, principalmente de quem atua no profissional, e fazer com que ele se desenvolva pela qualidade no trabalho e não quantidade, como é hoje. 

 

2. Como esse licenciamento pode melhorar a arbitragem do futebol paulista?

 

Agora teremos evolução por qualidade. Teremos menos árbitros considerados de ponta, mas eles serão melhores. Percebemos que alguns árbitros se acomodaram por terem chegado ao topo. Acharam que jamais sairiam de lá. Agora, se fizerem um trabalho ruim, vão ficar para trás. 

 

3. Como será a ascensão e o rebaixamento de licenças pelos árbitros?

 

Os árbitros e assistentes vão passar por aulas práticas e teóricas e ainda passarão por avaliações durante os jogos. Se um árbitro tem licença C e quer tirar a B, por exemplo, ele passará um ano estudando especificamente para a B. No fim do ano, se ele conseguir ter a média igual ou superior à nota de corte que determinamos, no ano seguinte ele se torna um árbitro licença B e já inicia o processo para tirar a A. Caso ele chegue ao final do ano com a média baixa, a licença dele cai um nível. Isso o obrigará a estar constantemente em estudo.

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